segunda-feira, 16 de junho de 2008

Oito passos para a Microsoft conseguir ser mais aberta

Recentemente, a Microsoft anunciou uma estratégia de abertura e interoperabilidade. Mas existe muito, muito mais coisas que a gigante precisa fazer para conquistar os céticos endurecidos pelos anos seguidos de concorrência.

Permanece o estigma de que a Microsoft é uma companhia que não quer nada além de rechaçar o código aberto, os padrões abertos e a interoperabilidade. Com as suas diversas iniciativas, neste ano, os oponentes ressurgem para criticar os esforços da Microsoft como sendo desinteressados, mal-direcionados, ou que são pouco mais do que uma atitude de marketing.

Embora alguns desses argumentos sejam válidos, está claro para mim que a Microsoft reconhece uma necessidade de mudança. A web 2.0, a emergência do código aberto e o contínuo impedimento devido aos ataques relacionados à questão da regulamentação criam uma necessidade corporativa de que a companhia realize suas operações de negócios de um modo mais flexível e transparente.

Sendo assim, veja aqui oito iniciativas que a Microsoft poderia fazer para acrescentar verdadeiro valor ao seu compromisso com uma maior abertura:

1. Revelar quais são as patentes que supostamente estão sendo violadas por produtos de código aberto, ou então, retirar as acusações de que o Linux e outros softwares livres estão violando, pelo menos, 235 de suas patentes.

Embora, nos últimos meses, não tenhamos mais ouvido nenhuma ameaça relativa à violação de patentes por parte da Microsoft, o assunto ainda não foi encerrado. “Não existe um meio de eliminar a questão das patentes do contexto da infração às leis”, afirmou para mim, no começo deste ano, um dos mais importantes executivos do setor de propriedade intelectual da companhia, enquanto conversávamos sobre os princípios de interoperabilidade que haviam sido anunciados recentemente.

Enquanto isso, a Microsoft realizou poucas coisas, publicamente, com a finalidade de mostrar como e onde ela acredita que suas patentes estejam sendo violadas, a não ser pela atitude de fazer uma ampla caracterização das áreas às quais se referem tais patentes e por ter divulgado um mapa de protocolos para patentes do Windows Server.
Isso não inspira confiança e faz acreditar que as ameaças da Microsoft com relação a suas patentes não são nada mais do que uma tentativa de difundir medo, incerteza e dúvidas.

2. Dedicar seus desenvolvedores a projetos de código aberto, como o OpenPegasus (software de gerenciamento), para que funcionem na linguagem de programação Python e fazer contribuições além daquelas que sirvam aos seus próprios interesses.

A Microsoft anunciou, no começo deste ano, que iria implantar código aberto no System Center para gerenciar Linux, e que iria trabalhar muito no IronPython, uma implementação em .Net, em código aberto, da linguagem Python. A empresa também utiliza uma implementação de uma interface de protocolo de transmissão de mensagens, em código aberto, em sua plataforma de supercomputação.

A Microsoft deveria mostrar uma atitude de boa-fé, contribuindo para as bases de código central desses projetos, em vez de apenas para as suas próprias implementações, e para quaisquer outros projetos de código aberto que ela decida utilizar. A IBM e o Google fizeram isso, então ela também pode fazer o mesmo.

3. Oferecer compatibilidade com SVG, ECMAScript, e outros padrões importantes da web no Internet Explorer 8.0.

A Microsoft afirma que o IE 8.0 será amplamente compatível com os padrões. Embora já tenha sido esclarecido que o browser será compatível com HTML 5.0 e CSS 2.1, não houve o mesmo esclarecimento quanto ao ECMASCript, que é uma versão padrão da indústria para o JavaScript (a Microsoft tem sua própria implementação e está decidindo quanto à futura direção que o ECMAScript irá seguir), nem em relação ao Scalable Vector Graphics, com o qual a Mozilla está comprometida.

4. Trabalhar com a IBM e a Sun Microsystems, para unificar o ODF e o OpenXML e tornar a interoperabilidade entre os formatos um recurso nativo no Office.

Primeiro, é possível fazer o download de um add-in que permite o Office abrir documentos no formato ODF, mas fica somente nisso.

Em segundo lugar, o mercado tem criticado a aprovação do Open XML como padrão internacional, uma vez que já havia sido registrado um formato de arquivo padrão da indústria, o ODF. A Microsoft declara que este último não tem o conjunto de recursos que os usuários do Office esperam e que ele também não apresenta compatibilidade retroativa. E por que não se dedicar a fazer com que os dois formatos sejam compatíveis?

5. Invista e coloque em operação um laboratório de interoperabilidade, em conjunto com a Linux Foundation.

O principal advogado da Microsoft, Brad Smith, estava tentando descobrir como a companhia, que ele comparava a uma verdadeira catedral, poderia realizar licenciamento cruzado ou possibilitar ampla interoperabilidade com o Linux, que ele comparava a um simples bazar. Veja como isso começa: estabeleça um relacionamento ativo com o grupo que ajuda a organizar o bazar, que seria a Linux Foundation.

6. Reduzir ou eliminar as taxas de licença para protocolos de patentes relacionadas a serviços comuns, como impressão e duplicação de arquivos.

Quando a Microsoft anunciou que iria divulgar muitas documentações de protocolos, ela também disse que as pessoas e as companhias teriam de pagar para implementar patentes de protocolos em softwares comerciais. Para quem espera que a Microsoft torne seus protocolos patenteados disponíveis gratuitamente, pode esquecer. A Microsoft não investe US$ 7 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento somente para distribuir esses protocolos de graça. Mas ela pode diminuir os preços de algumas das patentes de protocolos que são mais usados pelo mercado.

7. Adotar práticas de código-aberto, como participação e desenvolvimento e em comunidade para o .Net Framework e o Silverlight.

Isso não está bem explicado, porque não tenho exatamente certeza do que a Microsoft deveria fazer. Todavia, se a Adobe pode utilizar código-aberto ou disponibilizar gratuitamente partes importantes do Flex e do Flash, por que a Microsoft não poderia fazer o mesmo com o .Net e o Silverlight?

8. Demonstrar transparência, divulgando mais informações relacionadas ao que será fornecido no Windows 7.

É admirável que o novo diretor para o Windows, Steven Sinofsky, seja um defensor da idéia de ser “translúcido” em vez de adotar uma atitude de “transparência”. Ele está tentando captar um pouco do “charme” do Mac, ao prometer pouco e fornecer muito. Está certo não querer divulgar antecipadamente um monte de informações fragmentadas, para depois ter que se retratar do que foi declarado, como a Microsoft fez com relação ao Vista. Entretanto, teria sido interessante se a Microsoft tivesse, por exemplo, dado informações antecipadas sobre o Vista SP1 - em meio aos comentários negativos recebidos pelo sistema operacional – ao invés de esperar até que algumas companhias e consumidores começassem a dizer que iriam evitar a sua instalação.

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